OS MISSIONÁRIOS BRASILEIROS NO EXTERIOR E A ALTA DO DÓLAR

26 set

            Encontro-me em situação incômoda para abordar o presente tema. Pois, apesar de não mais ser missionário transcultural, sou gestor de missões e dirijo uma agência que possui vínculos de envio e apoio a missionários e pastores pelo mundo. Temo ser compreendido como se legislasse em causa própria.

Ainda assim decidi fazê-lo, na tentativa de proteger os muitos guerreiros que estão no campo, e desafiar a igreja a agira com maior coerência na questão do sustento missionário. A maioria esmagadora dos brasileiros em missão no exterior têm nas igrejas do Brasil sua fonte pagadora.

Em relação ao Real Brasileiro, a cotação do dólar americano subiu assustadoramente nas últimas semanas. Isso não ocorria há mais de dois anos, pois a cotação mais alta havia sido no dia 17 de julho de 2009, quando a moeda americana atingiu R$ 1,928. Em 31/8/2011, o dólar era cotado a R$ 1,58. Na última semana, dia 22/9, a moeda chegou a ser cotada a R$ 1,93. Agora, considerando que uma igreja brasileira enviasse R$ 1000 por mês a um missionário, dia 31/8 isso chegaria como US$ 632,9. Agora, com o dólar a R$ 1,93, chegam para o missionário somente R$ 518. É uma diferença de quase US$ 115.

É pequena essa diferença? Talvez, para uma família que gaste isso cotidianamente num passeio no shopping com refeição e cinema. Mas para uma família missionária, ou para um pastor da igreja sofredora, eis alguns dados:

Þ   100 dólares significa mais da metade do sustento mensal necessário a um pastor na região perseguida de Orissa, na Índia.

Þ   115 dólares refere-se à mensalidade escolar do filho de um pastor haitiano, em Porto Príncipe. Muitos deixam de estudar por não terem esse recurso.

Þ   115 dólares é o valor referente à taxa de visto de entrada para a maioria dos países. Quase todos os consolados cobram no mínimo US$ 100 por um visto.

Þ   A soma de 115 dólares ao longo de 12 meses (US$ 1380) pode garantir uma passagem aérea de ida e volta do Haiti para o Brasil mesmo em alta temporada, para que o missionário visite a família e confirme seu sustento entre as igrejas parceiras. Em baixa temporada, uma passagem do Norte da África para o Brasil (Sudão ou Egito) pode custar US$ 1500. Portanto, US$ 115 mensais é quase suficiente.

Þ   100 dólares é o sustento mensal de um pastor no Burundi. A quantia de US$ 115 seria um bom salário no país.

Portanto, fica claro que a alta do dólar é extremamente prejudicial aos missionários. Como não se pode reverter o fator econômico da noite para o dia, é necessário que a igreja se disponha a arcar com esse déficit que diretamente afeta aqueles que servem no campo.

Na prática, há muito o que pode ser feito. A igreja brasileira tem como correr atrás da diferença, para que o missionário goze de tranqüilidade no campo para realizar seu trabalho. Alguns pensamentos:

Þ   O ideal é que a verba votada para o sustento de um missionário transcultural seja calculada em dólar.

Þ   O conselho missionário da igreja precisa estar sempre informado acerca das alterações econômicas e cambiais que tenham ligação com os países para onde enviaram missionários.

Þ   O conselho missionário deve estar em constante contato com o missionário no campo, para saber como a crise econômica e cambial o afeta.

Com esse breve artigo, meu desejo não é promover culpa ou condenação sobre as igrejas, mas acender algumas luzes para que os missionários brasileiros em campo transcultural não sejam prejudicado. Oremos por eles, para que o fator econômico não resulte em debandadas do campo ou em retornos precoces. Que o Deus da visão e das provisão nos oriente!

Mário Freitas é pastor, missiólogo e presidente da MAIS (Missão em Apoio à Igreja Sofredora).

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Uma resposta to “OS MISSIONÁRIOS BRASILEIROS NO EXTERIOR E A ALTA DO DÓLAR”

  1. leonardo março 30, 2012 às 1:06 am #

    Meu coração arde por missões com uma chama que nunca se apaga , tenho 25 anos e vou ser ungido Pastor semana que vem , preciso de um preparo ! Não é emoção é chamada do Senhor , pesquiso muito sobre isso , me dedico ao oriente médio e a janela 10/40 , estou sempre ligado nas entidades portas abertas , voz dos mártires e …
    Sei das dificuldades que é estar no campo missionário , falta de apoio financeiro , choque cultural , perseguições de morte e etc. Moro em Nilópolis – RJ Brasil !!!!!! A paz do Senhor para todos !

    Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados.
    Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos;
    Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos;
    E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal.
    De maneira que em nós opera a morte, mas em vós a vida.
    2 Coríntios 4:8-12

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