MALÁRIA ESPIRITUAL

17 jul

A DOENÇA MAIS COMUM DA ÁFRICA E AS ENFERMIDADES DA FÉ CRISTÃ

Estou na África. Um continente conhecido por sua imensidão cultural, bem como por suas dificuldades e conflitos. Mas conhecido também por conter provavelmente o maior índice de malária do globo terrestre. Morre na África uma criança com malária a cada 40 segundos.

Antes dessa viagem, preparei-me como manda o figurino: tomei quinino, cápsulas de alho, além de trazer na mala roupas apropriadas e uma boa quantidade de repelente. Ainda assim, o risco é real.

Os próprios africanos temem muito por nós, estrangeiros, quando estamos por aqui. No sul do Sudão, os pastores sempre me perguntam se já tive a doença e se eu tenho tomado os devidos cuidados. Eles estão acostumados e sabem o que fazer para evitar.

Comecei a pensar na seriedade da doença. Embora eu não seja um especialista da área médica, há fatores acerca da malária que muitos conhecem. Comecei a pensar que a malária se parece em muito com algumas doenças espirituais que os crentes desenvolvem. Se eu tivesse o mesmo cuidado espiritual que tenho tido com o corpo nesses dias, é provável que a vida de muita gente à minha volta fosse melhor.

Pensemos, portanto, em algumas similaridades entre a malária e as “doenças da fé”.

 

1. Quanto à malária, conhece-se o mosquito, sua forma de atuação, mas ainda assim é difícil impedir a contaminação Por mais que saibam tudo sobre a malária, os próprios africanos vez por outra contraem a doença. Eles sabem o que devem fazer para evitar. Sabem onde devem ficar e onde não devem. Mas de vez em quando não conseguem evitar a malária.

Não seria exatamente essa a nossa luta espiritual? Conhecemos o nosso inimigo, quando esse se trata do diabo. Sabemos sua estratégia, conhecemos sua freqüência, mas ainda assim cedemos às suas tentações. Por vezes, nós mesmos somos o nosso inimigo, o mosquito que nos afeta. No entanto, por melhor que nos conheçamos, não deixaremos de cair.

2. O mosquito da malária ataca mais em lugares fechados do que em locais abertos – Curiosamente, nas regiões atingidas pela malária, a possibilidade de infecção dentro das casas é maior do que fora. Espantei-me quando os africanos me alertaram sobre isso. A concentração de mosquitos é facilitada dentro das habitações.

É idêntico ao fator espiritual. Muitas vezes referimo-nos ao “mundo” como sendo o maior local de contaminação dos crentes. Todavia, algumas de nossas maiores doenças podem ser contraídas sem sair da igreja. Dentro dela, podemos tornarmos competitivos, orgulhosos, ressentidos. Não é bom estar fora; mas estar dentro nem sempre é garantia de proteção.

3. A malária começa com sintomas comuns e de difícil especificação, e vai progredindo – Em geral, constata-se que a malária pode começar com dores de cabeça, náusea, febres, ou um simples cansaço. Por vezes, tais sintomas podem se combinar, e podem durar vários dias ainda num estágio inofensivo.

Os sintomas mais característicos e temerários são os posteriores, que incluem febres intensas (que podem atingir 41 C), calafrios e tremores. No caso de crianças, malárias podem afetar o rendimento mental.

A vida espiritual também é assim. Os primeiros sintomas podem ser aparentemente insignificantes, como um mero desinteresse, uma troca de prioridades, ou uma crítica. Mas pode acabar numa crise de incredulidade, ou em absoluta volubilidade quanto às tentações.

4. As larvas da malária se desenvolvem em águas paradas – A exemplo da dengue, é assim que se desenvolve a malária. Águas não correntes aglomeram larvas, que vão produzir mosquitos e propagarão a doença.

Águas paradas na vida espiritual também geram doenças. Sem movimento, sem deixar fluir a vida e o ministério do Espírito em nós, vamos nos tornando alvo do comodismo, da inércia, e começamos a adoecer. Pessoas que não produzem, que não se permitem despertar, são geralmente as que recheiam de crises os bancos das igrejas e não fazem diferença no Reino e no mundo. Quem não trabalha, dá trabalho!

Nunca tive malária, apesar de conviver de perto com missionários que contraíram a doença várias vezes, e com africanos e residentes da Amazônia brasileira. Mas estive enfermo espiritualmente centenas de vezes em minha caminhada, e sei que a doença espiritual também tem gerado milhões de vítimas. Que Deus tenha misericórdia de nós, sua igreja!

Mário Freitas é diretor da Missão em Apoio à Igreja Sofredora (MAIS) – http://www.maisnomundo.org 

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2 Respostas to “MALÁRIA ESPIRITUAL”

  1. guilhermerex julho 18, 2011 às 2:54 am #

    Verdade pastor, tais doenças espirituais matam mais do que a que atinge somente ao corpo.
    “Senhor Jesus, abençoe por favor a vida dese pastor e de seus ministério, proteja-o Guardando e livrando do mau; em Nome de JESUS , amém.”

    Logo logo estarei fazendo missões…
    Deus está na obra…

  2. Patrícia julho 20, 2011 às 12:35 pm #

    Gostei muito do texto.
    Criativo e inteligente.
    Parabéns!

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