COMO A CRISE DO ORIENTE MEDIO AFETA A IGREJA GLOBAL

13 jun

O tema proposto é amplo e envolve dimensões profundas da ciência política. Meu objetivo nesse breve texto, no entanto, é esboçar, com simplicidade e sem grandes pretensões, alguns pensamentos acerca da situação dos cristãos no Oriente Médio. Pretendo analisar a perspectiva da igreja árabe, que vive desafios esmagadores nesse momento, e da igreja global, que ainda não parece ter entendido inteiramente seu papel e participação nesse processo.

Desde o fim de 2010, algumas crises localizadas têm marcado o mundo árabe. Motins e manifestações populares emergiram em algumas nações como a Tunísia e o Egito, respectivamente, e em seguida na Líbia, onde vem ocorrendo uma guerra interna brutal. A Síria e o Iêmen foram os alvos seguintes da crise.

Em todos esses países a igreja sofre perseguição, pelo óbvio motivo de militarem a causa do evangelho em nações majoritariamente islâmicas. Mas a perseguição sempre esteve lá, independente da condição política. Num contexto como o da Líbia, por exemplo, a matança não parece ver religião. A igreja segue perseguida, mas tão reprimida quanto as outras minorias.

No caso da Síria, porém, a situação é completamente diferente. Apesar das fortes ondas de perseguição, a igreja representa entre 8 e 10% da população, o que não é inexpressivo. Sem contar que essa minoria é relevante: os cristãos compõem parte da classe média e alguns figuram entre os mais bem favorecidos do país. Há líderes políticos e empresários influentes que professam a fé cristã.

Justamente por essas razões, a igreja sofre perseguição não somente religiosa, mas política. Os cristãos são acusados de apoiar o presidente Bashar Al-Assad, do partido denominado Ba’ath (renascença), cuja filosofia configura uma espécie de socialismo árabe. Além da Síria, o Ba’ath desenvolveu-se principalmente no Iraque, tendo em Saddam Hussein seu principal representante.

As manifestações tiveram seu início na Síria em 26 de janeiro. A população tem ido às ruas para pedir, entre outras mudanças, a queda do Ba’ath do poder. Nisso, considerando a massa islâmica, líderes da igreja são acusados de fortalecer o poderio do atual presidente, bem como de seu partido. A igreja sofre.

Um pastor sírio entrou em contato com o escritório da MAIS na última semana para pedir ajuda. Ele precisou fugir de seu país para o Egito, por conta da perseguição. Mesmo sem buscar qualquer articulação política, o líder F.A. foi acusado de proteger e representar o contestado governo nacional em sua região, a cidade de Sahnaya. No Egito, o pastor não possui salário, e tem sobrevivido através de doações e da generosidade da pequena igreja local.

COMO ISSO AFETA A “IGREJA ESTÁVEL” DO MUNDO?

A limitada compreensão acerca das prerrogativas da crise no Oriente Médio, e da condição da igreja local em meio a esse quadro, pode gerar certo distanciamento por parte da comunidade cristã internacional. Mas não era para ser assim.  O Oriente Médio sempre será um campo de difícil acesso, mas precisamos atentar para algumas verdades.

Primeiro, grandes oportunidades missionárias têm surgido nessas regiões. Desde a igreja primitiva, a perseguição religiosa jamais conseguiu conter ou intimidar a igreja. Pelo contrário: cristãos perseguidos vivem o evangelho com grande intensidade, e isso gera convertidos.

Na maioria desses casos, há situações que nitidamente favorecem a pregação do evangelho. Nas regiões fronteiriças do Egito e a Tunísia, há milhares de refugiados que saíram da Líbia e que têm sobrevivido por conta das ajudas internacionais. Grande parte dessas ajudas chega através das ONGs cristãs. O evangelho vai sendo anunciado, como talvez não ocorresse enquanto trabalhavam em seu país.

Segundo, a igreja global não pode distanciar-se dos conflitos políticos do mundo. No que tange à igreja brasileira, já vemos certa mobilização real que começa a acontecer a partir da igreja. Ainda há certa timidez, mas estamos começando a sobressair. O combate à violência, às injustiças sociais e a defesa da família são temáticas que começam a ser bravamente levantados na agenda dos cristãos.

Mas a igreja deve fazê-lo em todos os lugares. Assim como a nossa missão é para o mundo, nossa militância político-social precisa ser global. Na Síria, vemos uma igreja ativa e influente na sociedade, pagando o alto preço da perseguição uma vez que se articularam socialmente. Cristãos vêem suas lojas e empresas fechadas abruptamente. Alguns são brutalmente expulsos das cidades onde residem. Ainda assim, não cessam de profetizar e alarmar o mundo acerca dessas injustiças, bem como da Justiça de Deus. A luta deveria ser de todos nós.

Terceiro, a igreja sofre. O texto de Gálatas 6:10 nos orienta a fazer o bem principalmente aos domésticos da fé. Se há cristãos sofrendo perseguição ou privação, é fundamental que toda a comunidade cristã internacional se envolva. Nesses casos, famílias são intencionalmente e severamente separadas, há escassez de recursos e alimentos, e, acima de tudo, há incertezas. Pastores fogem, correm de um país para outro, sem saber o que esperar para a semana seguinte.

Ore por F.A. e sua família, refugiados no Egito. Orem pelos cristãos egípicios que também sofrem, mas que nesse momento dão plena cobertura ao irmão sírio. Ore pela igreja da Síria, e de todo o Oriente Médio. Principalmente nessas regiões de fogo aberto. Deus esteja!

Pr. Mário Freitas é diretor da MISSÃO EM APOIO À IGREJA SOFREDORA (MAIS) – http://www.maisnomundo.org

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