A DECEPÇÃO DOS 35 SEGUNDOS

22 jun

Minha CARTA ABERTA À PRESIDENTA DILMA ROUSSEF, como resposta ao seu pronunciamento de 21 de junho de 2013.

Excelentíssima Senhora Presidenta Dilma Rousseff,

Como cidadão brasileiro, venho aqui declarar que só precisei ouvir os 35 segundos iniciais de vosso discurso, pronunciado na noite do dia 21 de junho de 2013, como resposta às diversas manifestações que têm levado, ao longo de todas essas semanas, centenas de milhares de famílias brasileiras às ruas de diversas cidades brasileiras. Eu mesmo integrei os protestos, junto a mais de 100 mil pessoas de minha cidade, aspirando por um novo tempo e pleiteando causas comuns, que vislumbram o bem-estar da nação.

Portanto, nem preciso dizer o quanto aguardava por vosso discurso em resposta. Mas os 35 segundos iniciais do pronunciamento foram suficientes para confirmar que o grito das ruas precisa continuar reverberando, visto que, ao que parece, até agora o Brasil não foi ouvido.

Obviamente, Vossa Excelência tem todo o direito de questionar como posso ter chegado a tais conclusões em 35 segundos. Aliás, eu mesmo me espanto! Passo, portanto, a registrar o conteúdo de vosso pronunciamento, em seus 35 segundos introdutórios, para esclarecer a causa de minha tão profunda decepção. Eis o pronunciamento:

“Minhas amigas e meus amigos, todos nós, brasileiras e brasileiros, estamos acompanhando, com muita atenção, as manifestações que ocorrem no país.
Elas mostram a força de nossa democracia e o desejo da juventude de fazer o Brasil avançar.
Se aproveitarmos bem o impulso desta nova energia política, poderemos fazer, melhor e mais rápido, muita coisa que o Brasil ainda não conseguiu realizar por causa de limitações políticas e econômicas.”

Foi nesse exato ponto que eu parei, não precisava ouvir além. E as causas da minha decepção por conta de vosso pronunciamento são basicamente três.

A primeira causa diz respeito ao fator DISTANCIAMENTO. Em vossa abordagem, a senhora se reporta a mim como sendo vosso amigo. Mas não somos amigos, Excelentíssima Presidenta. Minha casa está à vossa disposição, bem como meu escritório. Seria uma honra tomarmos um café qualquer hora dessas. Mas não tenho acesso aos governantes do meu país. Para ser amigo, é preciso que se tenha acesso. O povo está nas ruas justamente porque não há outras maneiras de sermos ouvidos. O acesso é simplesmente nulo. É óbvio que não me contento com os mecanismos formais de ouvidoria. Mas grandes nações do mundo, civilizadas e prósperas, possuem mecanismos de interação entre população e o poder público, os quais diminuem a lacuna que hoje está entre nós. De forma, Senhora presidenta, que nossa relação é praticamente feudal. Eu sirvo, pago, e continuo sem acesso aos senhores. Indivíduos de índole deplorável como o Senador Renan Calheiros assumem postos basilares para o encaminhamento da nação e eu sou violentado em meu direito de contestar. Sem contar que vosso partido me prometeu orçamento participativo, e só mesmo em meu próprio domicílio isso tem sido possível. Não sou ouvido pelo meu governo, não tenho qualquer acesso. Assim, sinto-me lisonjeado, e ao mesmo tempo ludibriado, ao ser chamado de amigo por Vossa Excelência.

A segunda razão de meu desapontamento diz respeito ao vosso OPORTUNISMO. Ao propor que “aproveitemos bem o impulso” das manifestações, é como se Vossa Excelência sugerisse que já estamos trabalhando em parceria. Como se dissesse que “fomos juntos às ruas, lutar pelas mesmas causas, e agora vamos continuar nos esforçando para melhorar”. Mas Presidenta, desculpe a sinceridade: isso foi extremamente oportunista. Vosso marqueteiro trabalhou relativamente bem, mas não convenceu. As manifestações não pretendem oferecer carona ao oPorTunismo. O impulso das manifestações gira em torno de algo novo, e não de aliar-se à máquina já existente. Essa conversa de “juventude”, “energia política”, me reporta a 1989, quando o candidato Lula quis ter “o meu primeiro voto”. Mas presidenta, o povo está amadurecendo, e não vislumbra receber de vossa parte uma aula de educação moral e cívica. Não tente nos ensinar a ser brasileiros. Vossa Excelência precisa, de fato, responder às manifestações, e não tratar delas como se estivéssemos “surfando a mesma onda”.

Por último, o que mais me ofendeu foi o fator CINISMO. Segundo vossa proposta, Se aproveitarmos bem o impulso desta nova energia política, poderemos fazer, melhor e mais rápido, muita coisa que o Brasil ainda não conseguiu realizar por causa de limitações políticas e econômicas.” Será que entendi errado? Ou a senhora crê mesmo que são esses nossos principais limitadores? Então, nesse caso, não somos o que deveríamos ser simplesmente porque não possuímos estrutura de gente e recursos? Presidenta, nossos principais limitadores não são políticos ou econômicos. Eles são morais. A corrupção é o que não permite que o Brasil seja o tal “país de todos”. O povo está nas ruas justamente por conta desses limitadores morais. E deseja que sejam retirados do caminho.

De qualquer forma, Excelentíssima Presidenta, agradeço por vossa preocupação em responder aos meus gritos. Esperei muito por esse retorno. Mas confesso que me decepcionei. E só precisei dos primeiros 35 segundos.
Curiosamente, o Haiti foi devastado por um terremoto, ocorrido em 12 de janeiro de 2010. O país já possuía um histórico sofrido, pobre, oprimido e turbulento, mas o terremoto veio para legitimar a miséria e impor níveis sub-humanos de existência. E o terremoto aconteceu em 35 segundos. Em 35 segundos, terríveis estragos podem acontecer, e manchar a memória de toda uma nação.

Quanto ao café, o convite permanece. Se for para sermos amigos, adentremos pelos nobres enlaces da verdade.

Atenciosamente,

Mário Freitas
Cidadão Brasileiro

REFLEXÕES DE UM GORDO QUE NÃO SE OFENDEU COM ANA PAULA

6 nov

O vídeo acima envolvendo a ministra Ana Paula Valadão Bessa causou certa polêmica. Ela afirmou que liderança e obesidade não combinam. Por ser obeso, com 124kg nesse momento, tenho sido procurado por vários irmãos, como que numa tentativa de provocar minhas reações acerca das colocações da ministra. Com todo o meu peso, tenho um ministério internacional, missionário, envolvendo nações difíceis como o Haiti, o Burundi e o Sudão, e alguns partiram desse ponto para me enviar mensagens na tentativa de fomentar um debate e dizer que, já que eu consigo efetuar ministério, o comentário dela teria sido de uma generalização preconceituosa.

Os mais apimentados chegaram a interpretar suas posturas e a “blogar” dizendo que os “gordinhos” já não vão para o céu, como se ela tivesse dito isso. Seguem abaixo meus rápidos pensamentos a respeito do assunto. Sei que esses comentários provocarão choro, ranger de dentes e alguma polêmica, mas sinto necessidade de me manifestar dessa vez.

1) Eu concordo com a cantora que o exercício da liderança é dificultado pela obesidade. Ao menos no meu caso, o sobrepeso me atrapalha. Pela graça de Deus, eu tenho realizado algumas coisas no Reino, mas reconheço que faria muito mais se tivesse uma saúde ainda melhor. Já pesei 180kg, hoje peso quase 60kg a menos, mas preciso perder mais peso para que meu ministério conte com vitalidade e durabilidade maiores.

2) Eu não sou o único a concordar, e a liderança cristã não é a única esfera à qual o comentário de Ana Paula se aplica. Especialistas em “headhunting” e mundo corporativo dizem que a boa condição física demonstra disciplina e tem relação com a saúde mental e criatividade do líder. Já chegou a ser articulado que pessoas obesas têm mais dificuldade em conseguir colocações no mercado, pois a condição de obesidade acentuada pode transmitir aspectos de lentidão, preguiça e falta de disciplina. Claro que estou generalizando.

3) Eu até concordo que pessoas com o acesso público de Ana Paula devem ter cuidado maior quanto ao que dizem. Mas ela teve. Ela pondera que há casos clínicos, patológicos – casos de doença. Sem contar que qualquer um que tivesse dito isso definitivamente não teria causado as mesmas reações. Infelizmente, os abutres estão de plantão assistindo aos supostos “tombos” daqueles que estão em evidência. Outra vez, aqui, estou generalizando.

4) Tenho pregado no Brasil uma mensagem muito direta e específica, afirmando que é tempo de celebrar menos e chorar mais. A igreja brasileira tem poucas razões para celebrar, e temos muito do que se arrepender. Portanto, ao afirmar que precisamos de menos banquetes e mais retiros de jejum, creio que a cantora esteja sendo totalmente pertinente.

5) Alegar que a cantora não tenha condições de fazer esses comentários, tendo como argumento o êxito de sua carreira gospel, ou os supostos milhões arrecadados com CDs, é um argumento cruel. Como já afirmei, se alguma liderança neutra e acima de contestação no Brasil, como Russell Shedd por exemplo, tivesse dito exatamente a mesma coisa, vários líderes gordinhos começariam jejuns imediatamente, convencidos de que precisam durar mais. Aí, porque trata-se de uma cantora gospel, que já pode ter cometido outros deslizes, a colocação deixou de ser verdadeira? A verdade continua sendo verdade independente de quem a tenha dito.

6) Por último, manifesto aqui que tenho tentado perder peso, não por uma hiper-espiritualização da obesidade, mas por achar que, de fato, servirei melhor ao meu Deus, ao Seu Reino e à minha família se eu tiver uma saúde melhor.

7) O mais nobre de tudo, porém, é que a cantora se retratou. Ao meu ver, ela focou claramente na possibilidade de ter ofendido pessoas. Sua atitude foi bíblica, séria, e definitivamente não será tão divulgada quanto o suposto deslize.

No mais, continuo aqui tentando me alimentar melhor, fazer exercícios físicos e estar fora desse quadro de risco em alguns meses. Não vi nenhuma manifestação “gordofóbica” no comentário da cantora. Pelo contrário, só me confirma que minhas preocupações são legítimas.

Aliás, deixa eu sair do computador! Isso também contribui para a obesidade. Até mais!

MÁRIO FREITAS

TEOLOGIA: EU QUERO UMA PRA VIVER!

11 jul

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Tenho sido questionado por conta de minhas constantes brincadeiras e “cutucões” envolvendo alguns teólogos e algumas reflexões teológicas. Frases minhas no twitter, como “Teólogo é o cara que responde perguntas que ninguém está fazendo”, repercutiram das mais diversas maneiras. Portanto, resolvi escrever um post para tirar a limpo, em linhas bem gerais e até superficiais, o que eu penso sobre a reflexão teológica.

Uma verdade introdutória é que eu sou missiólogo, e reconheço que não há missão sem teologia. Primeiro, vem o Theos; depois, a missio dei. A teologia é o conteúdo anunciado, e a preparação de quem vai. Amo e estudo a teologia, e considero a reflexão teológica extremamente necessária para que a grande comissão seja cumprida com eficácia.

O problema começa quando a teologia torna-se um destino ao invés de um caminho. Noto que alguns teólogos contemporâneos vêem que a razão de ser da igreja é fazer teologia. No entanto, sempre considerarei que a igreja existe para cumprir a grande comissão, e precisa fazê-lo com sobriedade teológica. O debate teológico não pode tornar-se um fim em si mesmo.

Portanto, amo a teologia, mas não respeito o teólogo prepotente que dá voltas em torno da lâmpada, promovendo debates sem gerar soluções práticas e transformadoras. Confesso que, embora possa sugerir preguiça ou mediocridade intelectual de minha parte, não me interesso em saber quantos cristãos contemporâneos são infra-lapsarianos ou supra-lapsarianos. Quero uma teologia para a vida, e acredito que a elaboração de algo assim seja viável. Eu acredito na teologia, e passo a esboçar em que termos eu creio nela.

Eu acredito na teologia soteriológica quando esta propõe que a salvação é pela graça, e que a graça aplica-se hoje, aqui e agora. Que o discurso em torno da eternidade não exclui a responsabilidade da igreja em interagir com o inferno que muitos vivem na Terra. Que Cristo levou sobre si o grito do pobre e oprimido, e que a missão precisa ser integral.

Eu acredito na teologia pneumatológica quando esta desperta na mãe de um viciado em drogas a esperança de que o Espírito Santo pode regenerar seu filho. A teologia que prega que a trinitariedade de Deus age em definitivo na transitoriedade do pecador.

Eu acredito na teologia eclesiológica que consagra o cristão cotidiano e o envia para ministrar no mundo e ao mundo. Que faz com que uma das mais nobres verdades defendidas pelos reformadores, a saber, o sacerdócio universal do crente, seja encarnada por todos e encorajada pelos pastores e líderes, os quais não mais terão medo de “apostolicizar” (enviar) o leigo.

Eu acredito na teologia escatológica que nega o fatalismo e encoraja cristãos a cuidarem do planeta. Acredito na teologia que ensina a separar o lixo, que renova, recicla e re-planta, ao invés de propor que se espere pavorosamente pelo milênio.

Eu acredito na demonologia que se preocupa mais com o inimigo da família e dos relacionamentos, do que em listar os nomes das pombagiras e tranca-ruas que circulam pelas esquinas.

Eu acredito na teologia hamartiológica quando esta aponta que o ato de ocultar algo na declaração do imposto de renda é tão pecaminoso quanto cometer adultério. Apesar disso, creio que a igreja precisa entender que, de fato, não há distinção entre “pecadinho” e “pecadão”, como aprendi na Escola Bíblica Infantil; mas que há “conseqüênciazinhas” e “conseqüênciazonas” em todos os atos dos homens.

Eu acredito na teologia cristológica quando esta é a mais enaltecida dentre todas as áreas de estudo da teologia. Acredito que Cristo é o modelo, o assunto, o centro de tudo. Para Ele, todas as verdades apontam.

Portanto, Cristo é o tema. Ele não se entregou para ser simplesmente debatido ou compreendido, mas para revelar-se aos pecadores através do humilde testemunho de outros pecadores. Como eu e você. Acredito na teologia da gente.

Concluindo: não sei muito de teologia, como você pode perceber. Nem sei tanto sobre Jesus, o maior dos temas teológicos. Mas sei o suficiente para repetir o que outro pecador já disse, antes de mim, na própria Bíblia: “Uma coisa sei: eu era cego e agora vejo!” (João 9:25).

Mário Freitas é um ex-futuro-fracassado teólogo. 

O MITO DE QUERER COMPLETAR-SE

30 abr

Sou casado, e bem casado, há 9 anos. Eu e Giovana temos duas filhas lindas, que alegram nossa vida e dão um colorido diferente à nossa correria do cotidiano. Sinto-me feliz assim, casado e em família. Mas confesso que não é isso que me faz completo.

É comum que as pessoas mais jovens, ainda solteiras, busquem alguém que lhes possa completar. Os antigos referiam-se ao parceiro como “a tampa da panela”, ou seja, aquele que vai encaixar-se no que faltava para que sejamos plenos. Isso é um equívoco. Um ser humano não pode completar outro. Somente Deus pode.

Conheço inúmeras pessoas casadas que possuem um vazio no peito. Elas não se completaram no matrimônio. Muitos procuram saciar esse vácuo nas aventuras extra-conjugais. Mas o fato é que o cônjuge não o completará. Somente Deus pode fazê-lo.

 

Biblicamente, eis o que pode efetivamente nos completar:

 

1) UMA VIDA QUE TENHA PROPÓSITO – Para o apóstolo Paulo, só era possível completar-se através do ministério, do exercício da vocação. Ele diz isso em Filipenses 3:12, como se segue:

“Não que eu já tenha obtido tudo isso… mas prossigo para alcançá-lo” (NVI). Ou seja, somente ao cumprir com o propósito de Deus para mim, eu terei obtido tudo. Só assim serei completo.

O profeta Jeremias disse que o povo de Deus cavou para si cisternas que não retém águas, poços rachados que fazem o líquido vazar (Jr.2:13). Isso significa que somos naturalmente insaciáveis. Somente Ele, a fonte de água viva, pode deixar nosso poço sempre transbordando. Nenhum outro ser humano poderá atender as demandas profundas de nossa insaciabilidade.

 

2) UMA DEVOÇÃO QUE SUPRA CARÊNCIAS – Veja o Salmo 90, versículo 14: “Satisfaze-nos pela manhã com o teu amor leal, e todos os nossos dias cantaremos felizes” (NVI). Somente o verdadeiro amor pode saciar as demandas da alma humana. E esse amor fiel e infalível é o amor de Deus. Nos seus braços, sentimo-nos seguros para nos relacionar com outros. Mas é preciso beber dEle.

Acho curioso que esse versículo fale sobre a manhã. Pois é geralmente à noite que os casais “se amam”. É como se o texto intencionalmente quisesse dizer que a prática devocional diária sacia incomparavelmente mais que as apimentadas relações da noite. Leia a Bíblia, ore, jejue constantemente. Embora alcançar disciplina seja inicialmente penoso, isso lhe trará a verdadeira satisfação.

 

3) UMA ATITUDE DE GENEROSIDADE – O texto de Lucas 6:38 é revelador: “Dêem, e lhes será dado: uma boa medida, calcada, sacudida e transbordante será dada a vocês” (NVI). Nas igrejas, é comum que se leia essa passagem no momento das ofertas. Mas o texto não parece estar falando somente de dinheiro. Aliás, nos versículos anteriores, a ênfase está em dar a outra face, oferecer gentileza, não retribuir o mal. Portanto, significa simplesmente que, se tivermos uma atitude doadora, um coração disposto a dar, conceder, Deus nos fará transbordar.

Quem quer viver completo deve ser mais doador: pense em dar tempo para um projeto social, dar parte de suas férias para missões, dar seus talentos numa causa nobre, dar seus recursos para quem precisa. É um belo paradoxo: Ele nos completa na medida em que nos esvaziamos. Doar liberta.

 

A verdade é que, se você não se sente completo sozinho, não se sentirá completo acompanhado. Pense nisso enquanto ainda está só. Complete-se em Deus: permita que Ele mesmo seja a tampa da sua panela, seu amigo mais íntimo, sua companhia mais segura. E Ele lhe suprirá com alguém que virá para sonhar com você, para buscá-lo, e ambos se completarão no Senhor.

Mário Freitas é pastor e missionário, e trabalha na MAIS – Missão em Apoio à Igreja Sofredora.

Perseguição 8/4 no Sudão – Sites internacionais

7 abr

Segue abaixo lista de alguns sites internacionais apontando para o caso (por motivos óbvios, note-se que a maioria são sites cristãos). Apesar de eu estar no país, me reunindo diariamente com líderes cristãos locais, entendo que minha palavra não baste. Nosso objetivo é atestar a veracidade da informação em prol da campanha #FreeSudan, que temos realizado entre 6-8 de abril, para buscar pressão internacional em torno da causa. Seguem, portanto, alguns links:

 

http://www.lexisnexis.com/community/international-foreignlaw/blogs/issues-spotlight-rol/archive/2012/03/29/sudan-islamists-human-rights-christians.aspx

 

http://www.christianpost.com/news/southern-sudanese-christians-fear-forced-repatriation-72795/

 

http://www.familysecuritymatters.org/publications/id.11681/pub_detail.asp

 

http://www.americanthinker.com/2012/04/silent_scream_the_sudan_ethnically_cleanses_its_christians.html

 

http://gbmnews.com/wp/?p=1626

 

http://www.worthynews.com/11382-sudan-bombs-churches-and-schools

 

http://burmadigest.info/2012/04/06/christianity%E2%80%99s-via-dolorosa/

 

http://www.christiantoday.com/article/appeal.for.support.as.christians.leave.sudan/29572.htm

 

http://www.rescuechristians.org/2012/03/22/sudan-hundreds-of-thousands-of-sudanese-christians-are-being-forced-to-leave/

 

http://wellingtonstpost.com/conservative/christians-in-muslim-sudan-given-ultimatum-leave-by-april-8-2012-or-else-and-the-world-yawns-as-usual

A PÁSCOA DO OCIDENTE E A PERSEGUIÇÃO NO SUDÃO

4 abr

Nos últimos meses o mundo tem falado e ouvido falar do Sudão. Com o surgimento do filme REDENÇÃO, estrelado por Gerard Butler, narrando a história do pastor americano Sam Childers, que trabalhou lutando contra as tropas de Joseph Kony no extremo sul do Sudão e no Norte de Uganda, o tema tomou novas proporcões. Em seguida, o movimento INVISIBLE CHILDREN lançou na internet, também por meio de vídeo, a campanha #StopKony, que dominou as redes sociais e também enalteceu o tema. Estrelas como George Clooney usam de sua influência para despertar o mundo a conhecer a dor dos sudaneses. É indiscutivelmente nobre, pois centenas de milhares de mortes passam a ser do conhecimento geral do ocidente, e novas mortes passam a poder ser evitadas.

Desde ontem, 3 de abril, estou no Sudão. Nossa organização tem trabalhado apoiando a igreja cristã do Sudão, principalmente após a emancipação do Sudão do Sul, ocorrida em 9 de julho de 2011. Na ocasião, eu também estava aqui. Lembro-me que a tensão foi geral quando o presidente Al Bashir declarou que, com o surgimento do novo Estado, os cristãos deveriam migrar para o sul, pois o Sudão tornar-se-ia um país de “uma só língua, uma só cultura e uma só religião”. Por isso, diferindo da tendência geral do mundo nesse momento, nosso coração firmou-se em auxiliar cristãos do extremo norte. Regiões como Nuba e Darfour pertencem ao norte, e ainda fazem parte do Sudão original. E mesmo na capital Khartoum, as coisas não andam fáceis para a igreja cristã.

Agora, a tensão se fortaleceu, pois há poucos dias o presidente determinou um prazo para que a referida migração coletiva aconteça: até 8 de abril. Pastores sudaneses tentam encontrar a linha emocional correta entre a fé e o desespero. Na verdade, ninguém sabe como serão os próximos dias. Não sabem se os filhos poderão seguir normalmente na escola. Não sabe se as esposas estarão em segurança nas ruas e nos mercados. Não sabem como e onde estarão os irmãos de fé.

Alguém chegou a questionar por que eles não iriam para o Sudão do Sul, se lá gozariam de maior segurança. As razões são três. Primeiro, todo processo migratório coletivo é extremamente difícil. Os preços no sul aumentaram absurdamente, após a emancipação do país. Há muitos estrangeiros, funcionários de organizações humanitárias, diplomatas e negociantes, o que também inflaciona. Se todos vão para o mesmo lugar, é natural que se gere concorrência naquele destino.

Segundo, a questão do vínculo afetivo é importante. Muitos cristãos pertencem etnicamente ao Sul, por serem filhos de tribos daquela região, mas nasceram e cresceram no norte. Têm uma vida aqui em Khartoum. É aqui que seus sonhos foram gestados, aqui estudaram, aqui conheceram seus cônjuges. Não querem sair de casa porque estão em casa.

Por último, o motivo que poucos entendem: há toda uma questão étnica em jogo. Muitos cristãos do norte são árabes – não são originários de raças tribais negras, do sul do Sudão. Eles são ex-muçulmanos convertidos ao cristianismo, o que constitui, por si só, um crime mortal. Esses irmãos não podem se identificar no norte, mas não teriam espaço no sul, pois são naturais do norte, do país que tem sido historicamente o opressor.

Conversando com pastores sudaneses ontem à noite, enquanto jantávamos, perguntei sobre o prazo de 8 de abril. É dia de páscoa.

Essa páscoa será diferente, pois 8 de abril os cristãos serão forçados a deixar o país. Mas na Bíblia, páscoa é libertação. Nós vamos ficar. Só Cristo pode nos tirar daqui” – declarou I.O.

Nessa páscoa, lembre-se do Gólgota, do sacrifício, e do evangelho que, à semelhança das nossas raízes, alguns ainda têm vivido. É tenso o clima, mas a igreja sofredora segue triunfante. Nas palavras do meu mestre Osmar Ludovico, “na cruz se morre, mas em pé e olhando para a frente”. Deus esteja.

Mário Freitas é presidente da MAIS – Missão em Apoio à Igreja Sofredora – que trabalha apoiando a igreja global. 

AGENDA DE PREGAÇÕES

17 fev

Para quem acompanha nossa caminhada, segue minha agenda ainda no mês de FEVEREIRO:

17 a 19/2 (sexta a domingo) – Igreja Presbiteriana Central de Limeira/SP – Congr. de Jovens http://www.iplimeira.com.br
20/2 (2a feira) – Comunidade das Nações, Brasília/DF – Congresso Metamorfose http://www.comunidadedasnacoes.com.br
21/2 (3a feira) – Assemb. de Deus de Taguatinga/DF http://www.adtag.com.br/
23/2 (5a feira) – Missão Praia da Costa – Festa na Vila – http://www.missaopraiadacosta.com.br
26/2 (Domingo) – Manhã (9h) – Igreja Presbiteriana Missional do Buritis/BH/MG – http://www.ipmissional.com.br
26/2 (Domingo) – Noite (18h) – Igreja Batista Central de BH – http://www.ibcbh.com.br

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